Sabe aquelas situações em que alguém olha para uma pessoa com deficiência e já imagina o que ela consegue ou não fazer?
Ou quando outra pessoa responde por ela, sem nem dar a chance de falar?
Nem sempre quem pratica percebe que está reproduzindo um preconceito.
Estou falando do capacitismo, que é justamente essa ideia de que uma pessoa com deficiência é menos capaz, menos independente ou precisa ter sua vida conduzida por alguém.
Ele não aparece somente nas grandes discriminações. Às vezes, está em uma conversa de família, em uma oportunidade de trabalho que não chega, em um relacionamento ou naquele restaurante que tem uma escada na entrada e parece não ter pensado que pessoas com deficiência também frequentam esses lugares.
Na minha vida, já encontrei situações em que minhas possibilidades eram limitadas por outras pessoas. Algumas vinham disfarçadas de cuidado. Outras simplesmente não consideravam minha capacidade de fazer escolhas. E isso me fez perceber o quanto o capacitismo pode estar presente até nas relações mais próximas.
E sabe o que também acontece?
Muitas pessoas com deficiência continuam sendo tratadas como crianças, mesmo depois de adultas. Querem decidir o que podemos fazer, com quem podemos sair e até como devemos viver nossos relacionamentos.
Mas quem disse que precisar de apoio significa não poder decidir?
E tem mais: o capacitismo também aparece no mercado de trabalho, na falta de acessibilidade e até em espaços que defendem a diversidade. Pessoas com deficiência LGBTQIA+, por exemplo, também enfrentam situações de exclusão. Afinal, não adianta falar de respeito às diferenças e esquecer que a acessibilidade precisa fazer parte dessa conversa.
Não estou dizendo que todas as situações são iguais ou que todo mundo age da mesma maneira. Mas vale a pena prestar atenção em algumas atitudes que acabaram sendo naturalizadas.
Às vezes, uma mudança começa quando deixamos de presumir o que alguém pode fazer e simplesmente perguntamos o que essa pessoa deseja. Quando conversamos diretamente com ela, respeitamos suas escolhas e entendemos que acessibilidade não é favor.
Eu gosto de trazer essas conversas para cá porque o capacitismo não é um assunto distante da nossa realidade. Ele aparece nas relações, nas oportunidades e nas pequenas situações do cotidiano.
E quero ouvir você também: já passou por alguma situação em que alguém decidiu por você, duvidou da sua capacidade ou tentou limitar suas escolhas?
Pode contar. Essa conversa também é sua.
Gata de Rodas® — na contramão do que a sociedade espera.







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