Você já percebeu como algumas pessoas parecem saber o que é melhor para uma pessoa com deficiência, mesmo sem perguntar o que ela pensa ou deseja?

Isso acontece em diferentes situações: no trabalho, nas relações familiares, quando alguém oferece ajuda sem perguntar e até quando o assunto é nossa vida afetiva e sexual.

Foi sobre essas questões que conversei no podcast Toda Voz, ao lado de Daniel Gonçalves, diretor do documentário Assexybilidade.

E olha, tivemos muito assunto!

Contratar não basta: queremos crescer!

Sou bacharel em Ciências Contábeis e tenho pós-graduação em Governança da Tecnologia da Informação e Inovação. Por isso, quando falo sobre inclusão profissional, também falo a partir da minha formação e da minha experiência.

Conseguir uma vaga de emprego é importante, mas e depois?

Quais são as oportunidades de crescimento?

Existe plano de carreira?

Podemos chegar a cargos de liderança?

Não basta contratar pessoas com deficiência para cumprir cotas. Queremos reconhecimento profissional, promoção e oportunidades compatíveis com nossa formação e experiência.

Durante um período em que estive desempregada, o ativismo também foi importante para manter minhas contas em dia. Nem sempre os caminhos profissionais são lineares, e essa é uma parte da minha trajetória que merece ser contada.

Ajuda sem respeito não é inclusão

Você já viu alguém começar a empurrar a cadeira de rodas de outra pessoa sem perguntar se ela precisa de ajuda?

Pois é! Pode até parecer uma atitude gentil, mas existe um detalhe importante: a cadeira faz parte do espaço corporal de quem a utiliza. Ninguém deveria sair empurrando ou movimentando esse recurso sem autorização.

Quer ajudar?

Pergunte primeiro. Se a pessoa aceitar, pergunte como pode ajudar. Se disser não, respeite.

Parece simples, mas ainda precisamos conversar sobre isso.

E quando o assunto é sexualidade?

Aqui a conversa fica ainda mais interessante.

Durante o podcast, falamos sobre o documentário Assexybilidade, dirigido por Daniel Gonçalves, e sobre o desconforto que a sexualidade das pessoas com deficiência ainda provoca em parte da sociedade.

Por que tanta surpresa quando falamos de desejo, prazer, relacionamentos e sexo?

Vou dizer sem rodeios: pessoas com deficiência também gostam de putaria!

Temos desejos, fantasias, preferências e diferentes maneiras de viver a sexualidade. E não existe uma única experiência que represente todas as pessoas com deficiência. Inclusive, pessoas assexuais também fazem parte dessa diversidade.

O que não podemos aceitar é que alguém determine nossa sexualidade a partir de uma deficiência ou suponha que nossos corpos não sejam capazes de sentir prazer.

Direitos não são favores

Também conversamos sobre direitos e sobre a distância que ainda existe entre aquilo que está garantido na legislação e o que acontece na vida real.

Ter leis é fundamental, mas você já percebeu quantas situações cotidianas ainda dependem da boa vontade das pessoas?

Precisamos de acessibilidade, respeito à autonomia, oportunidades e proteção contra todas as formas de violência. E, quando falamos das mulheres com deficiência, também precisamos falar sobre violência sexual, consentimento e o direito de decidir sobre o próprio corpo.

A Gata de Rodas vai na contramão

No fim, todos esses assuntos se encontram em uma questão: por que tantas pessoas ainda acreditam que podem decidir por nós?

Quero ser reconhecida pela minha formação e pelo meu trabalho. Quero ter minha autonomia respeitada, viver meus desejos e fazer minhas escolhas sem precisar corresponder às expectativas que criaram sobre a deficiência.

Minha história é minha, mas muitas dessas situações também fazem parte da realidade de outras pessoas com deficiência.

Foi muito importante levar essas questões para o Toda Voz e ampliar essa conversa.

E agora quero saber de você: qual desses assuntos ainda provoca mais desconforto quando é colocado em discussão?

Assista ou ouça à conversa no podcast Toda Voz, no YouTube.

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Sou a Gata de Rodas!♿🏳️‍🌈

Mulher cadeirante, bissexual, blogueira, palestrante e ativista. Escrevo sobre capacitismo, acessibilidade, direitos das pessoas com deficiência, diversidade sexual, corpo e desejo. Aqui, informação e consciência política caminham juntas.

Questiono padrões, compartilho experiências e provoco reflexões sobre uma sociedade que ainda insiste em determinar como devemos viver.

A Gata de Rodas vai na contramão do que a sociedade espera de uma mulher cadeirante.

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